Quanto vale o trabalho de uma pessoa? E até onde pode ir a exploração quando a sobrevivência depende de um salário?

Quatro trabalhadores imigrantes encontram na indústria têxtil a promessa de uma vida melhor. Mas, quando a fábrica onde trabalham estabelece um acordo comercial com investidores estrangeiros, a promessa transforma-se numa armadilha. Confinados ao espaço de trabalho, submetidos a jornadas exaustivas e privados de direitos fundamentais, os operários veem-se presos numa engrenagem movida pela ganância e pelo abuso.

Com humor ácido e crítica social, A Fábrica — Uma Pequena História da Vida Operária expõe as contradições de um sistema que transforma pessoas em mão de obra descartável e faz da vulnerabilidade uma oportunidade de lucro.

A segunda criação do Teatro do Imigrante dá continuidade à investigação artística da companhia sobre a experiência migratória em Portugal, desta vez voltando o olhar para a precariedade laboral, os baixos salários e as desigualdades que atravessam o mundo do trabalho.

Numa proposta cénica que subverte as convenções do teatro, o público ocupa o palco enquanto os atores se deslocam para a plateia, colocando em questão os lugares que cada um ocupa na sociedade.

A Fábrica não fala apenas dos trabalhadores imigrantes. Fala de todos aqueles que vivem do seu trabalho e enfrentam diariamente as pressões de um sistema que exige sempre mais e oferece cada vez menos.

Porque, dentro ou fora da fábrica, a pergunta permanece: quem beneficia do nosso trabalho — e quem paga o preço?